A história de Diana Bencatel: de Estudante a Conservadora de Coleções

Person using a cleaning brush to clean a paper document

Hoje, quero partilhar consigo a minha jornada desde os tempos de estudante até ao momento presente, em que trabalho com orgulho e muita paixão na área da Conservação de Coleções. 

Tem sido um percurso com altos e baixos, cheio de aprendizagens e mudanças de direção, que me trouxe até onde estou hoje: num lugar de realização pessoal e profissional.

Se está a pensar seguir um caminho profissional relacionado com o Património Cultural ou com as Artes em geral, talvez a minha história possa servir um pouco como inspiração.

Quando tudo começou

Sempre fui fascinada por História e pelas civilizações antigas.

Mas foi numa conversa com a minha professora de Latim, quando estava no secundário, que percebi onde realmente estava a minha paixão.

Quando me perguntou o que gostava de fazer nos meus tempos livres, respondi sem hesitar: “Ler sobre o Antigo Egito”. Depois de conversarmos bastante sobre o assunto, a certa altura, ficou claro para mim o rumo que queria seguir: Arqueologia.

Os meus pais apoiaram-me, mesmo sabendo que esta seria uma área difícil para encontrar emprego. Nessa altura, deram-me um conselho importante: teria de ser mesmo muito boa no que fizesse. E foi com esse espírito que entrei na licenciatura em Arqueologia.

Do sonho à realidade

Apesar da motivação inicial, fui confrontada logo nos primeiros dias com a dura realidade desta área. Durante a praxe académica, um aluno mais velho disse a todos os caloiros: “Parabéns, estão a dar o primeiro passo para o desemprego!”.

Ouvir aquilo foi um banho de água fria. Mas não foi suficiente para me fazer desistir.

Ao longo do curso de Arqueologia, percebi que, se queria realizar o sonho de fazer escavações no Egito, teria de complementar a minha formação. Fiz cursos livres, aprendi Árabe, frequentei aulas de Egiptologia.

Até que, numa conferência, conheci uma egiptóloga portuguesa e aproveitei para lhe perguntar como poderia também eu participar em escavações arqueológicas no Egito.

Foi aí que descobri uma realidade inesperada: parece que os arqueólogos estrangeiros, por norma, não participam diretamente em escavações no Egito. Apenas os egípcios têm essa autorização. No entanto, essas escavações contam normalmente com outros profissionais especializados – como Conservadores – que cuidam e tratam dos objetos encontrados. E foi assim que surgiu um novo caminho no meu percurso

Diana Bencatel a posicionar documentos em vitrine

O desvio para a área da Conservação

Decidi investir numa área que até então não conhecia a fundo: a Conservação. Queria aprender a cuidar das peças que fossem encontradas nas escavações, e não só, contribuindo dessa forma para a preservação do património de uma forma diferente.

Por sugestão de uma professora da licenciatura, optei por um mestrado em Museologia, que incluía formação em Conservação Preventiva e noutras áreas complementares.

Durante o mestrado, mantive-me sempre ativa. No primeiro semestre, fui voluntária no Arquivo Distrital do Porto, onde ganhei experiência prática em conservação de documentos. No segundo semestre, fui para Londres fazer Erasmus, onde fiz um estágio no prestigiado Victoria & Albert Museum (V&A).

Este estágio foi uma experiência transformadora para mim. Trabalhei no laboratório de Science Conservation, um espaço equipado com tecnologia de ponta. Ali, participei em projetos de análise de materiais, controlo ambiental e avaliação de riscos de coleções.

Um dos trabalhos mais importantes que fiz foi analisar a entrada de luz natural numa galeria em remodelação, para ajudar na decisão que iria ser tomada a nível de design da galeria, de forma a equilibrar a estética do espaço e a preservação das peças expostas. Foi uma experiência complexa, com muitas dificuldades pelo meio, mas muito enriquecedora a nível profissional.

Trabalhar em Portugal

De volta a Portugal, iniciei um estágio profissional no Museu da Cerâmica, nas Caldas da Rainha. Fiz inventário, higienização de peças de cerâmica e visitas guiadas, ao mesmo tempo que continuei a investir na minha formação com cursos de Contabilidade e Lighting Design.

Para a transição que fiz entre a universidade e o mercado de trabalho, penso que foi fundamental fazer estágios, voluntariado e formações complementares. Acredito que trabalhar em diferentes contextos e aprender com profissionais de diversas áreas foi crucial para me dar a experiência de que eu precisava para começar a minha carreira.

Diana Bencatel a efetuar trabalho limpeza de documentos em papel
Diana Bencatel a efetuar higienização de documentos

Conservadora de Coleções e Formadora

Mais de quinze anos depois de ter começado a minha carreira na área da Conservação e da Museologia, já estive envolvida em muitos projetos, trabalhei com diversas equipas e formei outros profissionais.

Atualmente, além de trabalhar com Museu, Arquivo, Bibliotecas e Colecionadores privados, também dou formação online através da Conservação num Clique.

O sonho de escavar no Egito já não está no centro dos meus planos, mas nunca se sabe o que o futuro reserva. O importante é que sou apaixonada pelo que faço. E enquanto assim for, sei que estarei no caminho certo – a cuidar do nosso património e das histórias que os objetos têm para contar.

E a sua carreira, em que ponto está? Partilhe comigo nos comentários, vou adorar saber!

Diana Bencatel a apontar para cima

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