É uma dúvida muito comum: guardar documentos dentro de micas ou proteger livros com capas de plástico é seguro? Será que ajuda realmente a conservá-los?
A resposta é sim, mas nem sempre.
Embora o plástico possa proteger contra o pó, a sujidade e o desgaste provocado pelo manuseamento, nem todos os materiais são adequados para conservação. Em alguns casos, a utilização do plástico errado pode acelerar a degradação e a acidificação do papel.
Neste artigo explico quais os cuidados a ter, e como pode escolher a solução mais adequada para proteger os seus documentos e livros durante muitos anos.
Porquê usar plástico para proteger documentos?
As micas e capas plásticas tornaram-se uma solução muito popular, porque oferecem várias vantagens:
- Protegem documentos contra o pó e a sujidade;
- Reduzem o desgaste causado pela consulta frequente;
- Ajudam a evitar rasgões e vincos;
- Facilitam a organização em pastas e caixas.
Por essa razão, são uma boa opção para guardar e proteger muitos documentos do dia-a-dia.
No entanto, quando falamos de documentos antigos, fotografias, diplomas ou livros de valor histórico ou sentimental, é importante perceber que nem todos os plásticos são iguais e nem todos contribuem para a preservação daquilo que estão a “proteger”.

O plástico pode danificar os documentos?
A resposta simples é sim, dependendo do material utilizado.
Alguns plásticos libertam substâncias químicas à medida que envelhecem. Estas substâncias podem provocar:
- Amarelecimento do papel;
- Manchas;
- Fragilidade das fibras;
- Aderência entre o plástico e o documentos.
Outro problema muito comum é a retenção de humidade: quando um documento fica fechado durante muito tempo num ambiente húmido, o plástico pode dificultar a ventilação e criar condições favoráveis ao aparecimento de fungos.
Quais são os plásticos mais seguros?
Para proteger livros e documentos com o objetivo de os conservar a longo prazo e prevenir danos, pode-se usar diversos tipos de plástico, desde que sejam de qualidade arquivística. Pode-se usar:
- Poliéster (como a película de poliéster transparente Mylar® ou Melinex®);
- Polipropileno;
- Polietileno.
Quando os fornecedores indicam que determinado plástico que fornecem é de “qualidade arquivística”, significa que é um material quimicamente estável e não liberta plastificantes. São os plásticos normalmente usados por arquivos, bibliotecas e museus.
Por isso, sempre que adquirir micas ou outros invólucros para guardar documentos importantes, verifique as informações do fabricante sobre o tipo de plástico utilizado.
Se quiser conservar documentos a longo prazo, convém usar material de qualidade arquivística – que pode ser plástico, mas também pode ser cartão, por exemplo. Se for para proteger temporariamente, pode optar por um plástico comum.
Este artigo do NARA (National Archives and Records Administration) dos Estados Unidos da América recomenda capilhas feitas de poliéster para proteger documentos frágeis, rasgados ou de pequenas dimensões, minimizando assim os riscos associados ao seu manuseamento, e garantindo uma proteção contínua.

Que plásticos devem ser evitados?
O ideal é evitar qualquer plástico que não seja considerado de qualidade arquivística pelo próprio fornecedor.
No entanto, o principal material a evitar é o PVC (policloreto de vinilo). Este plástico contém plastificantes que, ao longo do tempo, podem migrar para o documento e provocar alterações tanto no papel como nas tintas.
Também é aconselhável evitar:
- Plásticos muito flexíveis sem identificação do material usado;
- Películas aderentes ou autocolantes;
- Capas de plástico de origem desconhecida ou de baixa qualidade.
Portanto, quando não existe informação sobre o material, é preferível optar por uma alternativa destinada especificamente ao acondicionamento de documentos, ou seja, de qualidade arquivística.
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E os livros, podem ser plastificados?
Também aqui a resposta é variável.
As capas protetoras utilizadas em bibliotecas, um pouco por todo o mundo, para proteger livros são concebidas para proteger o livro sem comprometer a sua conservação, e são feitas com características e materiais adequados para conservação.
Qualquer que seja o contexto, de biblioteca ou doméstico, por exemplo, envolver completamente um livro em plástico ou utilizar película autocolante para forrar as capas de um livro pode criar alguns problemas.
No caso de um livro que seja colocado num saco ou invólucro de plástico totalmente fechado pode, por exemplo, começar a ficar com bolor, sobretudo em ambientes húmidos.
No caso das películas autocolantes comuns (as tradicionais capas adesivas usadas para forrar livros escolares) podem também:
- deixar manchas nas capas ou arrancar a sua superfície ao tentar remover-se,
- amarelecer, encolher ou endurecer, deformando a capa do livro,
- libertar químicos que aceleram a degradação do papel.
Por isso, sempre que possível:
- Não use películas autocolantes em livros antigos, valiosos ou frágeis/degradados;
- Utilize capas amovíveis, feitas em poliéster (Mylar/Melinex), polietileno ou polipropileno sem adesivo, que protegem o livro sem ficarem coladas à capa;
- Evite invólucros demasiado apertados;
- Permita que o livro continue a respirar;
- Mantenha boas condições de armazenamento, com baixos níveis de humidade (abaixo dos 65%).

A conservação depende mais do ambiente do que do plástico
Um dos erros mais comuns é pensar que basta colocar um documento dentro de uma embalagem de plástico para garantir a sua preservação.
Na realidade, os fatores que mais influenciam a conservação são:
- Temperatura estável;
- Humidade relativa controlada;
- Ausência de luz solar direta;
- Boa ventilação;
- Limpeza regular do espaço de armazenamento.
Desta forma, mesmo utilizando materiais de excelente qualidade, guardar documentos e livros num ambiente inadequado continuará a acelerar a sua degradação.
Então, vale a pena utilizar micas?
Na maioria das situações, sim. As micas são uma boa solução para proteger documentos frequentemente consultados e reduzir os danos provocados pelo manuseamento.
No entanto, se forem micas comuns, que não são feitas de material de qualidade arquivística, devem ser usadas apenas temporariamente ou para proteger documentos pouco importantes.
Concluindo…
Guardar documentos em micas e livros com capas de plástico pode ser uma boa prática, desde que sejam utilizados materiais adequados.
Assim, antes de escolher uma mica ou uma capa protetora, confirme que o plástico é apropriado para conservação, e lembre-se de que a temperatura, a humidade e a forma de armazenamento continuam a ser os fatores mais importantes para preservar o património documental.
Com pequenas escolhas feitas hoje, é possível prolongar significativamente a vida dos documentos e livros que pretendemos conservar.
E por aí, costuma ter guardar documentos em micas e livros em capas de plástico? Conte-me nos comentários!
E não se esqueça de assistir à aula gratuita sobre como proteger livros e documentos com os materiais certos.
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