Construir uma Carreira na Área do Património: Estratégias para Fazer Acontecer

Sala de um museu com várias estátuas e esculturas

Ouça este episódio do podcast da Conservação num Clique:

YOUTUBE | SPOTIFY | APPLE PODCASTS | AMAZON MUSIC

Se tem interesse em trabalhar na área do património, mas não sabe por onde começar ou como enfrentar os desafios para conseguir um lugar neste setor, este artigo é para si!

Existem diferentes caminhos — alguns mais tradicionais e outros mais alternativos — que podem ajudar a construir uma carreira nesta área. Deixo aqui algumas dicas e estratégias práticas.

Ganhar experiência com voluntariado e estágios

Se ainda está a estudar ou à procura do primeiro emprego, a melhor forma de começar é com estágios ou voluntariado em instituições ou empresas da área. Esta experiência prática é fundamental para desenvolver competências, criar uma rede de contactos e mostrar iniciativaalgo que é cada vez mais valorizado pelos empregadores.

No meu caso, comecei por fazer voluntariado em escavações arqueológicas. Mais tarde, durante o mestrado, estagiei no laboratório de Conservação do Arquivo Distrital do Porto e no laboratório de Science Conservation do Victoria & Albert Museum, em Londres. Esta última experiência foi particularmente desafiante a nível pessoal, mas também foi das mais enriquecedoras para a minha formação.

Corredor de um museu com várias vitrines de exposição de objetos museulógicos

O caminho tradicional: procurar emprego

O percurso mais comum passa por procurar emprego com horário e remuneração fixa, em museus, arquivos, bibliotecas, galerias de arte ou empresas da área. No entanto, encontrar essas oportunidades exige dedicação, desde estar atento a concursos públicos, enviar candidaturas espontâneas, preparar um bom CV (curto, direto e apenas com informação relevante) e escrever cartas de apresentação personalizada.

Lembre-se: demonstrar verdadeiro interesse pela organização a que se está a candidatar e conhecer o seu trabalho faz toda a diferença.

Para além disso, pequenos gestos, como personalizar a sua candidatura ou enviar um email depois da entrevista mostrando disponibilidade para esclarecer qualquer questão, podem destacar o seu perfil.

A minha experiência nesta área foi mista. Participei em eventos de recrutamento e investi muito na preparação das minhas candidaturas — desde adaptar o CV à identidade visual das empresas até estudar o que tinham a nível de património histórico.

Nalguns casos, esse esforço compensou. No entanto, houve dezenas de candidaturas em que não fui selecionada. E está tudo bem com isso! Hoje percebo que a flexibilidade e liberdade profissional que tenho é mais alinhada com o que quero para a minha vida.

Alternativas para quem deseja mais flexibilidade e autonomia

Se procura caminhos menos convencionais, aqui ficam algumas ideias do que pode fazer:

1. Trabalhar como freelancer com empresas

Pode propor colaborações pontuais a empresas da área, oferecendo os seus serviços de forma autónoma. Muitas empresas não conseguem contratar a tempo inteiro, mas colaboram com profissionais especializados por períodos limitados.

2. Prestar serviços por conta própria

Também pode trabalhar diretamente com clientes finais, a partir de casa ou no espaço do cliente. Isto reduz custos iniciais. Precisa de equipamento mais caro? Veja se o consegue alugar! No meu caso, já tive de alugar termohigrómetros, o que acabou por ser muito mais viável do que se eu tivesse de os comprar.

3. Fazer parcerias com colegas

Trabalhar com outros profissionais pode ser muito enriquecedor e ajuda também a dividir investimentos, por exemplo em espaços ou equipamentos. Pode também colaborar com quem já possui um atelier ou laboratório, pagando uma comissão sempre que usar as suas instalações. O importante é perceber que não tem de fazer tudo sozinho — as colaborações dão-nos coragem, dinamizam experiências interpessoais e abrem-nos novas portas!

4. Partilhar conhecimento: dar formação na área do património

Outra possibilidade interessante pode ser dar formação, que pode ser presencial ou online. No meu caso, propus workshops a instituições como museus e bibliotecas, usando os seus espaços em troca de inscrições gratuitas para colaboradores. Todos ganhavam com isso: eu não tinha custos de aluguer e a instituição ganhava formação especializada e visibilidade.

Se preferir dar formação online, há plataformas como o Thinkific (é a que eu uso), o Podia ou a Hotmart, que permitem criar e vender cursos. Esta opção dá uma grande liberdade, algo que eu valorizo imenso, e que me permite equilibrar a minha vida profissional e familiar.

Mulher a posicionar objetos numa vitrine de um museu

Construir uma carreira na área do património pode ser um desafio, mas há mais do que um caminho possível. Quer siga a via tradicional ou explore alternativas mais criativas e flexíveis, o importante é manter a motivação, a persistência e a curiosidade.

Se quiser acompanhar o meu trabalho ou procurar inspiração, contacte-me através do site da Conservação num Clique, ou através das redes sociais — basta procurar por “Conservação num Clique” no Facebook, Instagram ou LinkedIn.

Muito sucesso, e até breve!

Capa do podcast da Conservação num Clique, com Diana Bencatel a pegar em dois pesos

10 Materiais para reparar danos em papel

Descarregue gratuitamente esta checklist e descubra quais são os materiais ESSENCIAIS para reparar danos frequentes em papel (e onde os adquirir). Contribua decisivamente para melhorar o estado de conservação de livros e documentos!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *