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Cuidar de coleções, estejam elas expostas ou guardadas em bibliotecas, arquivos ou museus, é uma tarefa que exige a nossa atenção a vários níveis. Um dos maiores desafios é, sem dúvida, o controlo da humidade relativa nos espaços onde estão essas coleções.
Hoje vou partilhar consigo estratégias e dicas práticas para enfrentar este problema, criando condições ambientais adequadas mesmo quando os recursos são limitados.
Humidade Relativa: Porque é tão importante?
A humidade relativa influencia diretamente a conservação dos materiais. Variações bruscas nos níveis de humidade relativa podem provocar deformações e outros tipos de danos nos objetos. Mas há uma boa notícia: mesmo sem equipamentos sofisticados, é possível fazer muito para preservar as coleções!
Antes de agir, o primeiro passo é compreender quais os materiais presentes nas coleções que tem ao seu cuidado, uma vez que diferentes materiais têm diferentes necessidades e vão ter diferentes níveis de humidade relativa recomendados. Por exemplo:
- Papel (livros, documentos): idealmente entre 50% e 60% de humidade relativa
- Metais: requerem níveis de humidade relativa bastante mais baixos
Se a sua coleção for composta por vários materiais, pode optar por um valor de referência considerado “standard”: 55%. Mas o mais importante não é tanto atingir exatamente esse valor, mas sim evitar flutuações bruscas dos níveis de humidade relativa.

Estabilidade em primeiro lugar
Muitas vezes, os chamados “valores ideais” são impossíveis de manter.
Equipamentos tais como sistemas de ar condicionado ou desumidificadores podem ser caros, tanto na aquisição como na manutenção e no consumo energético. Para além disso, o uso destes sistemas de forma intermitente (ligá-los de dia e desligá-los à noite, por exemplo) pode causar mais mal do que bem, ao provocar oscilações ambientais acentuadas.
Curiosamente, já se verificou que os objetos que passaram anos em ambientes com níveis de humidade fora do recomendado, adaptaram-se a essas condições sem sofrer danos. A mudança abrupta para um ambiente “ideal”, sem uma transição gradual, pode ser mais prejudicial do que benéfica. Por isso, qualquer alteração aos níveis de humidade deve ser feita com ponderação e acompanhamento – e de forma progressiva.
Estratégias de controlo que estão ao seu alcance
Caso identifique a necessidade de controlar ativamente os níveis de humidade relativa junto das suas coleções, a opção mais eficaz passa por utilizar um sistema de ar condicionado, para regular os níveis de temperatura e humidade relativa. Porém, esta opção exige um grande investimento de aquisição e manutenção, para além de não ser ambientalmente sustentável, pelo que nem sempre é a melhor escolha.
Contudo, existem várias opções que não exigem um investimento tão avultado.
Para reduzir os níveis de humidade relativa pode-se por exemplo:
- Usar desumidificadores ou ventoinhas, que promovem a circulação do ar.
- Arejar os espaços regularmente.
- Apostar na limpeza a seco dos espaços, através do uso de aspirador, panos e trinchas secas.
Para aumentar a humidade (em climas secos):
- Utilizar humidificadores.
- Colocar bacias com água nos cantos das salas.
- Lavar o chão com esfregona húmida (bem torcida).
- Abrir e fechar as janelas em horários estratégicos.
Estas são soluções simples, práticas e económicas, e podem fazer a diferença quando bem aplicadas.
Apostar em soluções passivas
Uma abordagem especialmente eficaz e sustentável é o controlo passivo do ambiente. Esta estratégia passa por melhorar as condições do edifício e dos espaços onde a sua coleção está guardada, por exemplo:
- Vedando bem portas e janelas, para evitar correntes de ar indesejadas.
- Mantendo telhados, caleiras e canalizações em bom estado, prevenindo assim infiltrações.
- Melhorando o isolamento térmico do edifício, com materiais apropriados.
Mesmo que não tenha competências técnicas para executar estas melhorias, pode sempre sensibilizar quem tem poder para estas tomadas de decisão. Investir na qualidade do edifício não só protege as coleções, como reduz custos a longo prazo.
Controlar os níveis de humidade relativa e tentar mantê-los estáveis junto das nossas coleções não precisa de ser caro nem complicado. Com criatividade e algumas boas práticas, é possível criar ambientes mais adequados.
Pequenos gestos fazem mesmo uma grande diferença na preservação das nossas coleções!

Partilhe comigo os seus maiores desafios e dúvidas sobre o controlo dos níveis de humidade relativa junto das suas coleções.
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